Cidadões do Mundo
Encontrei-a casualmente no Centro Comercial das Amoreiras. Maria João Pires andava às compras e ao ver-me acenou-me. Fui ter com ela e no desenrolar da conversa disse-me que ia renunciar à cidadania portuguesa”, relatou ao PÚBLICO o jornalista.
(…)
A pianista tem recebido telefonemas de vários organismos governamentais de Espanha e do Brasil a convidarem-na para se instalar definitivamente nesses países, mas o convite feito pelas autoridades brasileiras terá sido muito sedutor, levando a pianista a optar por se mudar de armas e bagagens para o outro lado do Atlântico.
Hmm, e se outras figuras públicas nossas decidirem fazer o mesmo?
Imagino o C. Ronaldo a mudar-se para Espanha para assim ter oportunidades de ganhar uma Taça do Mundo. De Manuel Luís Goucha para os EUA, para assim finalmente ter aquela vida de sonho em San Francisco (vocês sabem…). Do Herman José para a Alemanha visto que está farto de gabar das suas origens há séculos…e salsichas não lhe faltam por lá.
Enfim, as possibilidades de muitos portugueses famosos quererem mudar de nacionalidade para proveito financeiro são imensas.
Mas então nós?
Que levamos com a borrada em cima quando um projecto entra em dívidas e deixamos de ter meios para pagar aos empregados…como por exemplo - e escolhendo um nome ao acaso - a Maria João Pires?
Talvez é altura de reinvidicar os mesmos direitos como cidadões do mundo e apelar á transferência de valores individuais como ocorre em clubes desportivos.
Se calhar, só tinhamos a ganhar com isso…imaginem:
“O Vietname oferece seguro dentário, 2500 euros mensais e um ticket para bordéis locais para qualquer licenciado universitário europeu.” - estou lá!
“El Salvador oferece casas no valor de 5 milhões de euros e cargos manhosos autárquicos.” - estou lá!
“A China oferece carne (de variadíssimas espécies) para o resto da nossa vida e trabalho como polícia do regime.” - estou lá!
O meu agente tratava de todos os faxes e havia, obviamente, limite da extensão do contrato de nacionalidade. Poderia depois renovar ou ser cidadão livre. Haveriam também prémios consoante o meu rendimento e assinaria contratos de publicidade com uma empresa a nível local, regional ou nacional segundo meu indíce de popularidade.
Porém, podia ser complicado se nem Nauru ou as Seychelles me quisessem.
Onde iria eu?
Num campo de rejeitados no Ártico?
Não sei.
Mas talvez se repetíssemos a façanha desta mulher, o governo português passasse a ter mais atenção aos talentos que partem em busca de uma vida melhor.
Ou talvez é um processo natural como qualquer outro país.
Se calhar ainda, o governo e a crise não são responsáveis pela falta de subsídios visto que existem casos com maior deficiência.
Sinceramente, não sei. São todos pontos de vista válidos.
Mas, se tivesse determinar uma quando li a notícia, era dizer-lhe que a renúncia de uma nacionalidade não lhe torna mais competente na liderança de um projecto económico ou que justifique um total abandono das suas origens.
Bastava trabalhar noutro país.
Mas isso foi no momento.
Agora começo a pensar que deveria ser mongolês, a beber leite com manteiga de cabra e a comer testículos perante uma bela imensidão.

Ao menos saberia no que estava metido.
08/07/2009 às 11:13
Escreve-se “licenciado” e não “licensiado”.
Com liçensa!
Hei-de ir ao vosso blog fazer a mesma coisa!
INVEJOSOS!
@Daniel Alves, apenas desejo que os dois blogs atinjam o máximo de qualidade ^^
Que erro vergonhoço! Este tipo de cituassões são inadmicíveis Daniel!
09/07/2009 às 13:18
Ah…patriotismo :), ela e o Saramago é que sabem bem…